4ª Câmara Cível do TJMG prestou sua homenagem ao desembargador José Francisco Bueno
09/03/2010
11:48hs

Sessão: Francisco Bueno é homenageado
Extraído de: Tribunal de Justiça de Minas Gerais - 18 de Dezembro de 2009
Na sessão de julgamento de ontem, 17 de dezembro, a 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) prestou sua homenagem ao desembargador José Francisco Bueno, que se aposenta em janeiro de 2010. Convidado pelo desembargador Almeida Melo, presidente da Câmara, a falar em nome da 4ª Cível, o desembargador Dárcio Lopardi Mendes revelou que o convite veio em hora oportuna, ao possibilitar "a um velho amigo do desembargador Bueno, cuja amizade foi construída no perdido das distâncias esquecidas, ora revividas, fazê-lo, ainda que com palavras singelas. Mas, com a força da amizade e do coração".
Em seu discurso, o desembargador Dárcio Lopardi ressaltou: "Cumpre a nós procurar realizar os sonhos que acalentamos ao abraçar a magistratura e o magistrado José Francisco Bueno, há quase quatro décadas, realizou o seu, alcançando o desembargo do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, de tão ricas tradições e de prestígio inigualável no cenário jurídico nacional".
Dárcio Lopardi relembrou momentos da vida do homenageado, registrando, dessa forma, a trajetória feliz e vitoriosa do magistrado: "Filho de Aristeu Bueno e de Dona Odete Rangel Fanuchi Bueno, nasceu em Cambuí, nesse Estado, e formou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Sul de Minas, Pouso Alegre, em 1966. Advogou nas comarcas do sul mineiro, exercendo a vereança em sua cidade natal, até 1970, ano em que ingressou na magistratura, exercendo seu mister nas comarcas de São João Evangelista, Santa Maria do Suaçuí, Caxambu, Rio Pomba, Três Pontas, Poços de Caldas, aportando na comarca de Belo Horizonte em 1984 e, já em 1991, sendo promovido para o Egrégio Tribunal de Alçada de Minas Gerais, e promovido a desembargador em 1999."
Dedicação e seriedade
Ressaltou que, em todas as comarcas por onde passou, o desembargador Francisco Bueno foi muito querido e respeitado e sempre que as visitou, a lazer ou a trabalho, foi muito festejado. Contou que, por feliz coincidência, na comarca de Rio Pomba, onde sua família tem raízes, ouviu de seu tio Osvaldo Mendes Ferreira, que era o decano dos advogados na comarca e da região, que o "doutor Bueno era ainda muito moço, mas trabalhador, competente e sério".
Lembrou as muitas homenagens recebidas pelo desembargador Francisco Bueno, os cargos exercidos, dentre eles, o de corregedor-geral de Justiça, coroando uma vida dedicada ao Direito e à Justiça. "E após essa longa trajetória no Poder Judiciário, sendo conhecido por todos como um magistrado culto, operoso, franco e leal, e preocupado com o social, anuncia a sua retirada. Mas, por certo, com essa trajetória de vida, sempre se espelhando no Sermão da Montanha , faz jus ao descanso digno, em retribuição ao longo trabalho realizado. É um vencedor".
Aderiram à homenagem os desembargadores Audebert Delage, que o fez também em nome da Associação dos Magistrados Mineiros (Amagis), Moreira Diniz e Manuel Saramago. Moreira Diniz definiu o desembargador José Francisco Bueno como símbolo de magistrado ideal, homem sério, dedicado, rigoroso, quando preciso; brando, quando convém, mas sempre com justiça. "O desembargador José Francisco Bueno tem uma grande vantagem: conseguiu passar pela magistratura sem desagradar ninguém; acredito que até as partes que perderam não conseguiram ficar magoadas", acrescentou.
Em nome da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de seu presidente, Raimundo Cândido Junior, falou o advogado João Henrique Café de Souza Novais: "Sinto-me felizardo de ter sido escolhido para estar, agora, neste momento, aderindo a todas essas manifestações carinhosas e respeitosas de reconhecimento à trajetória de S. Exª. Tenho para mim que a data mais importante de um magistrado não é a data da sua posse e investidura como juiz de direito de 1ª Instância, muito menos a data e a posse de investidor como desembargador - é a data da aposentadoria e, neste caso, esta sessão solene, certamente, é a mais importante da carreira de S. Exª., porque nela se pode olhar para trás com orgulho e verificar a trajetória de muita dificuldade, de muito trabalho e, com certeza, de muita angústia nas decisões. S. Exª. soube, com muita responsabilidade, ultrapassar todas as dificuldades e ter uma carreira limpa, reta e temos a certeza de que o Tribunal de Justiça de Minas Gerais muito se orgulha".
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Também o procurador de Justiça Jackson Campomizzi expressou o carinho do Ministério Público ao desembargador Francisco Bueno, que muito engrandeceu seus pares, seus próximos e a sociedade na qual vem vivendo, trabalhando e exercendo a magistratura.
Servidor da Justiça
Emocionado, o desembargador Francisco Bueno ressaltou que a "atividade da magistratura propicia o surgimento de uma das maiores pragas da espécie humana, a chamada vaidade. Não existe campo mais fértil para que este pecado capital floresça, mas posso dizer, com muito orgulho, inclusive, com orgulho pessoal, que esta chama da vaidade nunca me assolou".
Ainda em seu pronunciamento, o desembargador Francisco Bueno destacou que não se preocupou em fazer de suas decisões votos acadêmicos. "Procurei ser simples ao escrever, para que a parte pudesse entender o que estava escrito. Adotei, também, em minhas decisões, a palavra requerido, acionado, e nunca a palavra réu, porque conheço o significado da palavra réu. Réu traz, em si, um preconceito horrível. Estabeleci, também, a impessoalidade nos editais, sempre. Peço licença, então, para destacar da vaidade, que não tomou conta de mim, esse orgulho de ter sido um servidor da Justiça e a serviço da sociedade que me paga e, aos advogados, espero que a inscrição 10.722 esteja à minha disposição. Muito obrigado a todos!"
Por sua vez, o presidente da Câmara, desembargador Almeida Melo, declarou que as palavras pronunciadas pelo desembargador Dárcio Lopardi Mendes "são reveladoras de uma meditação, de uma profunda capacidade de sentimento e, principalmente, palavras muito bem estruturadas, uma arquitetura muito bonita, condignas com S. Exª, o desembargador José Francisco Bueno". Informou que, naquela mesma tarde, seria dado o nome do desembargador Amílcar de Castro à sede do Tribunal Regional Eleitoral: "Tomei esse gesto, principalmente, para homenagear os juízes de carreira, aqueles que são os nossos irmãos mais experientes, mostrando a necessidade de voltar ao doutor Amílcar, e é evocando o nome dele que digo: o desembargador José Francisco Bueno foi merecedor de juízes do gabarito de Amílcar de Castro".
Outras manifestações
Ainda na mesma sessão, o procurador de Justiça Jackson Campomizzi congratulou o desembargador José Antonino Baía Borges por integrar a lista tríplice do Superior Tribunal de Justiça (STJ), elogiando sua competência e dedicação à magistratura. Já o desembargador Audebert Delage manifestou regozijo ao desembargador Cássio Rodolfo Sbarzi Guedes, eleito para a Presidência do Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia. Também foi proposto pelo desembargador Almeida Melo voto de pesar pelo falecimento de Domingos Santiago, irmão dos desembargadores Sérgio Lellis Santiago e Edelberto Lellis Santiago.
Clique aqui para ler na íntegra as homenagens ao desembargador José Francisco Bueno.
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